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A propósito da Páscoa

Aproveitando que hoje é Páscoa, vamos voltar no tempo e utilizar a data histórica como pano de fundo para falarmos sobre alguns assuntos muito atuais.

O personagem central da Páscoa não é o coelho. É Jesus. No capítulo da história em que passou por esta Terra, esse homem, nascido na periferia, era considerado um agitador e persona non grata pelo governo.

Roma, caracterizada por sua estrutura política adotada em seu império expansionista, tinha uma máquina estatal pesada, sustentada por altas cobranças de impostos e assim expandia seus domínios, permitindo que os povos conquistados tivessem a sensação de que eram livres, ainda que fossem escravos.

Jesus foi considerado subversivo por essa turma porque sua mensagem, através da tônica do amor, prezava pela liberdade e não venerava o Estado, o Cesar, Herodes ou até mesmo os religiosos da época. Ele dizia claramente que o seu Reino não era deste mundo e que aquele sistema era considerado por ele irrelevante.

Imaginem um governo que era alimentado por altos impostos, baseado num comportamento absolutamente submisso da população que era explorada pelo Estado para sustentar a máquina estatal, cheia de privilégios para uma classe de funcionários públicos, geralmente indicados pelos amigos do imperador.

Aquele sujeito precisava mesmo ser eliminado, pois ele fazia as pessoas pensarem e isso sempre acaba se tornando uma ameaça à “ordem” pública. Ou melhor, uma ameaça para qualquer sistema totalitário.

A mensagem cristã, que por séculos foi responsável pelo tratamento mais digno à mulher e a implantação de valores que mantiveram de pé as civilizações, mesmo com o desvio da Igreja como instituição (um tema em que não quero me aprofundar), hoje é vendida como algo conservador e retrógrado. Isso explica o fato de sistemas ditatoriais combaterem o cristianismo ou, como no caso de Roma na época de Constantino, ter criado um convênio, Igreja/Estado, a fim de controlar politicamente esse movimento subversivo.

No centro dessa polêmica, estão temas do interesse de grupos formados por minorias. No entanto, não há mais nada subversivo do que a mensagem deixada por Jesus, que contrariava os costumes da época e desafiava a cada um que nunca errou a atirar a primeira pedra, sem discriminar prostitutas, leprosos, homossexuais e outros grupos geralmente marginalizados pela sociedade.

A humanidade está sempre em altos e baixos, ela vai e vem, mas no final do dia os verdadeiros valores passam de geração em geração. Já o que não tem valor logo desaparece.

Quanto ao Estado, sim, ele continua até hoje querendo escravizar você. Liderado pela classe política que é caracterizada, em geral, por não ter escrúpulos para legislar em causa própria e vive dos privilégios pagos com o dinheiro suado de nossos impostos. Não importa qual o partido político. Eles todos jogam o mesmo jogo.

Não há quem esteja do seu lado. Ao contrário, trabalham para nos colocar uns contra os outros: negros x brancos, pobres x ricos, trabalhadores x empregadores, gays x heterossexuais etc. Esta é a melhor estratégia para enfraquecer quem de fato tem o poder: a população. Assim, demonizam o que eles chamam de “elite”, quando, na verdade, essa elite é formada por eles, os políticos, o governo, o Estado.
A verdade é que existem apenas duas classes:
1. Os que pagam impostos – Nós, trabalhadores ou empresários, todos estamos no mesmo lado.

2. Os que recebem impostos – o Estado, quem de fato tem o poder de oprimir.

Na hora em que você entender isso, PT, PSDB, PMDB, PP, DEM ou qualquer outro partido não farão mais qualquer diferença.

A única coisa que deveria nos importar é se essas pessoas estão trabalhando ou não a favor de nossos interesses, gastando o nosso dinheiro de forma adequada ou se eles devem ser demitidos por que foram incompetentes.

Quando você entender que todos juntos pagamos impostos para eles, ficará mais claro que eles são nossos empregados e nós os patrões e não o contrário. Diante dessa conclusão, e com essa consciência, as coisas seriam muito diferentes no Brasil.

O único problema é que se ficarmos repetindo demais conceitos como esses por aí muita gente será perseguida e crucificada. Afinal, é preciso controlar esse povo escravo que pensa que é livre.

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