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Para ser justo (ainda sobre a Venezuela)

Há dois dias, postei sobre a omissão do Brasil a respeito de atitudes arbitrárias da ditadura socialista venezuelana, depois da prisão sem julgamento do prefeito de Caracas, que se juntou a Leopoldo Lopes, preso há um ano por organizar os protestos no país – acusações de tortura e forte repressão aos protestos levaram dezenas de estudantes à morte.

A Câmara dos Deputados, em Brasília, aprovou uma moção de repúdio por “quebra do princípio democrático” em função de todos esses atos. Já no Senado, foi aprovada uma comissão que vai viajar até a Venezuela para verificar in loco os abusos praticados pelo regime de Nicolás Maduro.

Parabéns ao Senado e à Câmara dos Deputados pela decisão coerente. Afinal, para a Venezuela continuar no Mercosul, é mandatório que seja uma democracia. Sendo assim, o próximo passo pode ser a exclusão do país do grupo.

A propósito, para que fique claro, acontecem periodicamente eleições presidenciais na Coreia do Norte e isso não a transforma numa democracia. Ter eleições não significa que seja uma democracia.

É relevante mencionar que os parlamentares do PT, PSOL e PCdoB votaram contra, apoiando Maduro e sua política bolivariana, alegando, com os mesmos argumentos usados por Maduro, que tudo isso não passa de uma conspiração organizada pelos EUA e a mídia golpista para derrubar um governo do povo. Aliás, a popularidade de Maduro alcançou seu menor índice de aprovação (22,6%), depois de o país mergulhar numa crise financeira que levou à falta de produtos básicos de higiene e a violência urbana explodir com a maior taxa de assassinatos do mundo.

Vale lembrar que Maduro afirmou que Hugo Chávez o fez uma visita em forma de um passarinho no dia em que completaria 60 anos, que pousou perto dele e lhe disse que Chávez estava orgulhoso da lealdade do povo venezuelano.

Meses adiante, o partido socialista do regime bolivariano (PSUV) lançou a oração de pai nosso numa versão “Hugo Chávez”, que foi recitada por todos em alta voz e muita reverência. Abaixo, a oração do pai nosso do partido socialista venezuelano:

Chávez nuestro que estás en el cielo, en la tierra, en el mar y en nosotros, los y las delegadas
Santificado seja tu nombre
Venga a nosotros tu legado para llevarlo a los pueblos de aquí y de allá (inclui o Brasil)
Danos tu luz para que nos guíe cada día
No nos dejes caer en la tentación del capitalismo
Mas líbranos de la maldad y de la oligarquía (“como del delito del contrabando”)
Porque de nosotros y nosotros es la patria, la paz y la vida
Por los siglos de los siglos, amén
¡Viva Chávez!

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